Tag: Virtude

A amizade e o matrimônio

Eis um texto sob medida pra quem quer entender como o matrimônio católico é fantástico. Sérgio de Souza oferece-nos uma reflexão baseada na liturgia, fazendo a relação entre o Evangelho e as leituras. Uma riqueza! A amizade e o matrimônio Sérgio de Souza Falando de liturgia diária, mais uma vez chama-nos a atenção a complementariedade entre a primeira leitura (Eclo 6,5–17) e o evangelho (Mt 10,1–12). Diante do trecho do Eclesiástico não há como não perceber o que salta aos…

Constância e Ordem

Sobre a virtude da ordem, uma questão surge. É a ordem filha ou mãe da virtude da constância? Parece que, em razão da virtude a que se refere, a ordem antecede a constância. Ora, a prudência é a responsável por valorar e, portanto, por organizar os bens importantes para os indivíduos. Como a desordem é justamente a confusão na valorização dos bens humanos ou utilitários, é contra a prudência que se levanta o desordenado. Ao passo que a inconstância se…

Os vícios de Giotto – VI

Ao estudar as paixões da alma, tema que não se pode ignorar quando o assunto é ética, uma questão se coloca: se as paixões são eticamente neutras (como foi dito anteriormente), isto é, se sobre elas não cabe caracterizações sobre sua malícia ou bondade, por que Giotto classifica a ira como vício? Será que há alguma distinção entre a paixão e o vício ira? Os que estudam ética não podem esquecer-se de que a ira é uma paixão especial. E…

Os vícios de Giotto – V

Em um afresco da Capela Arena, em Pádua, é possível ver um uma figura curiosa: um personagem maltrapilho, com algo semelhante a penas sobre sua cabeça, segura um bastão. O personagem, um tanto abobalhado, tem adereços que lembram um selvagem ou algum homem desleixado com sua aparência. Parece ser um desses tipos carnavalescos, que cultuam a natureza ou algo que o valha. A jocosidade da cena pode levar o espectador da obra a achar que este vício é sem importância…

Os vícios de Giotto – IV

Giotto descreve a inconstância como alguém que está sobre uma roda, equilibrando-se com dificuldade para não cair. Para piorar esta situação de insegurança e instabilidade, aquele que é vítima da inconstância está sempre incomodado com problemas, sente-se sempre em dificuldades extremas, reclama ordinariamente de questões aparentemente difíceis, que tiram sua atenção. São ventos que fazem com que o equilíbrio da personagem fique comprometido e são representados no afresco pelo esvoaçar de sua vestimenta. Aparentemente, o inconstante não se incomoda com…

Os vícios de Giotto – II

A filosofia ensina que a inveja é um tipo de tristeza que abate o indivíduo, por causa de um mal presente. Em certo sentido, mesmo sendo um vício horroroso, a inveja não importa mal direto a ninguém. Pelo contrário, dentre os vícios representados por Giotto, a idolatria (ou infidelidade – infidelitas) é capaz de prejudicar o indivíduo não apenas em relação consigo mesmo, mas também em relação com o outro, negando-lhe algo que é seu direito natural. Se para Giotto…

Os vícios de Giotto – I

A cultura ocidental deve muito dos seus valores e desenvolvimento às reflexões e ao trabalho do cristianimo. Desde a criação das universidades, passando por inovações na arquitetura e, principalmente, na reflexão sobre o que é próprio da humanidade, o ocidente teve avanços significativos graças ao engenho e trabalho de autores cristãos. Um dos momentos ímpares é a Pintura Renascentista. E um dos nomes que fundaram esta escola é Giotto di Bondone. Giotto (1266—1337) foi decisivo na elaboração dos princípios formadores…

Gratidão e Lei

A virtude da gratidão trata da obrigação de se honrar a outros, por benefícios recebidos sem a necessidade de tais atos. É próprio dessa virtude a aceitação de que a um outro se deve loas. A natureza desse reconhecimento não nasce de qualquer relação de necessidade, mas da total liberdade do beneficiário em relação ao beneficiado pela gratidão. Diferentemente da Lei, não há obrigação externa de ser grato a ninguém. A virtude da gratidão nasce do coração livre de exigências…

Homo Volens

O assunto deste post, como denuncia o título, é a liberdade humana. A vontade humana é assunto de estudiosos há muito tempo e vários já escreveram sobre este problema. A faculdade volitiva tem muitas características, dentre elas a possibilidade de agir e de não agir em certas ocasiões. É o que chamamos liberdade. E a possibilidade de agir desta forma ou de outra, ou de não agir desta maneira ou daquela é o que chamamos livre-arbítrio. Acredito não ser necessário  aprofundar-se por demais neste…

I feel good… tãnãnãnãnãnãnã…

Ver o James Brown dançando é algo mágico! Como não balançar ao som do trompete e saxofone dessa lenda da música mundial? A letra de I Feel Good é um hino ao momento religioso em que vivemos. “Sentir-se bem” é quase a regra geral, o dogma incontestável da espiritualidade contemporânea.  O que chama a atenção é que essa prática não é apenas protestante, mas também entre não poucos católicos essa “norma” espiritual tem gerado mal-estar e confusão, visto ser de…